quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Trechos de livros que já li

... "Dizem que a solidão é necessária para se alcançar a santidade. Esqueceram-se de que na solidão a tentação é maior." 
(Carlos Fuentes - Aura)

"Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre às nossas decisões."
( Lygia Fagundes Telles - As Meninas)



"O amor tem seu instinto, sabe encontrar o caminho do coração, como o inseto mais frágil caminha para sua flor com uma vontade irresistível que nada assusta. Por isso, quando um sentimento é  verdadeiro, seu destino não é duvidoso."
(Honoré de Balzac; A Mulher de 30 anos)

"Era bom dormir nos braços de um homem, sentir o estremecimento do corpo, a boca a morder, num suspiro morrer... Dele gostava de um gostar diferente. Na cama para gemer, beijar, morder, suspirar, morrer e renascer. Mas também para dormir de verdade, sonhando com o sol, com o gato bravio, com a areia da praia, a lua do céu e a comida a fazer."
(Jorge Amado; 
Gabriela, cravo e canela)


"Já disse que as metáforas são perigosas. O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no instante em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética."
(Milan Kundera; 
A insustentável leveza do ser)


"Que são minutos? Que são meses? Paixões de largos anos, chegando menos pela indiferença. O amor não é mais que um instrumento de escolha; amar é eleger a criatura que há de ser companheira na vida, não é afiançar a perpétua felicidade de duas pessoas, porque essa pode esvair-se ou corromper-se. Que resta à maior parte dos casamentos, logo após os anos de paixão? Uma afeição pacífica, a estima, a intimidade."
(Machado de Assis; Helena)



"O amor? Pássaro que põe ovos de ferro."

(João Guimarães Rosa; Grande sertão: veredas)



terça-feira, 12 de novembro de 2013

O que quiseres, mas o meu amor jamais!

Embora saiba
que me tens tão grande adoração
eu sigo a ordem
e essa é dada por meu coração
neste romance
existem lances sensacionais
mas te dar o meu amor, jamais
A gente ama verdadeiramente
uma vez
outras são puras fantasias

Transformando a negação em benção

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

No elevador do filho de Deus - Elisa Lucinda

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Caçada - Chico Buarque



Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador


Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulso e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador



De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pêlo
Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador.

(Esta é a letra de uma canção que está num CD que eu adoro e ganhei de presente do homem mais gostoso do mundo... Acho uma das poesias eróticas mais lindas!)




Transar - Carlos Rodrigues Brandão

"Viúva e envelhecida
Teresa, a lavadeira
Sorri para si mesma e ao vento
enquanto põe na água do tanque
o teu lençol da noite de ontem
com alguns fios de cabelos claros
e manchas dos sucos de dois corpos.
Houve um tempo, ah, houve um tempo!
E ela pensa enquanto lava e lava:
quando meu lençol branco
já foi também assim também". 

(Poema extraído do livro Orar com o Corpo)


quarta-feira, 29 de maio de 2013

La petit mort (colaboração de Adriana Dias e Noites da Paixão)



Ah, Juliet Jaguar, uma mulher destemida, sem amarras, sem escrúpulos, sem pudores, sem limites. Mas a vida impõe limite a tudo. E no seu caso, seu limite veio em forma de excesso.
Eles, amantes há algum tempo, se encontraram para uma daquelas noites avassaladoras em que o amor transcende o teto do motel. À busca por sua pequena morte , como os franceses chamam o orgasmo “La petit mort”, ela não imaginava que seu fim seria com aquilo que a mais trazia prazer.
Como nunca soube dizer não, ela foi pega pelo laço da morte ao não se desvencilhar do grande jorro de esperma ejaculado por seu amor, seu amante, seu tudo. Ele que tinha chegado da Europa, trazendo acúmulo de sêmens, pois não tinha feito sexo com sua esposa – pois não foi à viagem, e nem tampouco com qualquer mulher durante a viagem, porque seus músculos só se enrijeciam para ela, sua Juliet.
Ela não pensou que naquele dia, uma quinta-feira fria do mês de maio, após tomarem um fino e raro Penfolds Block 42 Cabernet Sauvignon 2004, sua vida se esvairia. E olhe que o vinho raro é australiano e não italiano, espanhol ou português, como os que ele trouxe para sua esposa, de preços comuns. Este custou a ele e outros onze clientes, aproximadamente R$ 350 mil, mas Juliet valia esta loucura, afinal ela era a razão dele respirar.
Os afagos eram cada vez mais ardentes, para combinar com o vinho vindo do Novo Mundo. E ela veria o outro mundo dali alguns minutos. E lambe aqui, lambe ali, língua na orelha (uma das suas regiões erógenas mais apreciadas). Ele era um amante sedutor, caliente e com saudades.
Juliet,  ah, Juliet fazia proezas na cama, menos uma coisa: ejaculação na sua boca. Era uma despudorada, mas tinha nojo do gozo do amante, ou de qualquer outro homem. Mas neste dia ela sucumbiu ao pedido do seu grande amor, que lhe deu um presente de valor equivalente a uma casa: o sauvignon.
Gentilmente, ela que nunca dizia não a nada, disse não às suas próprias convicções. Soltou lá do fundo da garganta um sim com letras maiúsculas ao amado. Ele, quase não acreditando no que ouvia, se aprazia com a cena que via: a sua amada, toda linda, pronta para receber o que ele tinha de mais íntimo, dentro de si. Para ele era a representação de que jamais sairia dentro dela.
Ela não teve tempo de ter o orgasmo naquela noite. Ele sim. Ejaculou em sua boca de baton vermelho, ainda mais avermelhada pelo sugo da uva sauvignon. Tamanha voracidade que não foi possível escapar. Juliet sufocou com o jato de esperma e antes mesmo que seu amante conseguisse se recuperar da sua La petit mort, sua amada já não mais respirava. Morta de prazer em dar prazer ao seu amado.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

CONCURSO DE REDAÇÃO: A morte de Juliet Jaguar


Olá pessoal, há cinco dias exclui este blog por ter a plena convicção de que Juliet precisa morrer. Tentem me entender, ela tem me causado muitos problemas com seu temperamento impulsivo, irracional e, sobretudo, libertino. Juliet não sabe dizer não; tudo que ela quer é gozar o melhor da vida. Ela se entrega às suas fantasias, contudo depois, quem paga a conta do estrago sou eu, uma mulher limitada pelas continências da vida. Não sou capaz de acompanhá-la mais nesta aventura, lamento. Inicialmente, Juliet era meu alter ego. Realizava-me imaginando que eu poderia ser ela, mas esta experiência tem me gerado sofrimento. Estou há dias sem comer, sem dormir, sem praticar esportes e sem achar graça em nada. Tudo isso porque a maldita Juliet se deitou com o homem que eu mais amei em toda minha vida e o roubou de mim, definitiva e terminalmente. Nunca sofri tanto, quis morrer, quis matar. Juliet é uma desgraçada, uma vadia, uma vagabunda sem pudor algum. Ela transou com ele, sabendo de todos os nossos segredos, e fez com ele tudo que ela sabia que ele gosta, tu-do! Resultado: ele não quer mais saber de mim; está apaixonado por Juliet. Ontem eu enviei uma mensagem e ele não me respondeu. Devia estar gemendo com ela, derramando em seu corpo sua saliva, suor e esperma. Todavia, ele não sabe que quem dá vida a Juliet sou eu, sem mim não há fantasias e a vida se tornará tediosa. Sou eu que reinvento o amor, sou eu que poetizo a paixão, sou eu que perpetuo seus desejos de homem, não ela. Ela é só o reflexo das minhas vontades, quem o ama sou eu! Tenho vivido os piores dias da minha vida desde então. Não consigo mais escrever e só vejo filmes tristes, para chorar naturalmente. Este gravador que agora uso não grava a voz grave da dor do meu coração. Juliet me roubou o meu amor, o meu homem, aquele que me fez mulher. Eu a criei e ela me roubou a minha vida. Por isso exclui o blog, por desespero. Temi que, sem explicações, Juliet começasse a escrever de verdade, sem minha ajuda. Minha vida se tornaria um inferno, imaginem ela escrevendo sobre ele!? Depois da exclusão do blog, contudo, recebi várias mensagens de leitoras e leitores. Fiquei surpresa, pois não pensava que este blog representasse tanto para tanta gente. Parece-me que Juliet, além de ter me salvado por longo tempo da solidão e mediocridade da vida, conquistou também outras pessoas (além do meu amado). Disseram-me inclusive que seria mais digno matá-la, como fez Angeli com a Rê Bordosa, e não simplesmente excluir o blog e deixar os textos todos perdidos no limbo da internet, onde nunca mais ninguém poderá acessá-los. Considerei esta possibilidade e decidi promover um concurso de redação. A ideia é simples: os concorrentes deverão escrever um conto, com teor erótico, por meio do qual a personagem Juliet Jaguar encontrará a morte. Eu já tenho algumas ideias bizarras, pois a mim só interessa que esta maldita morra! As inscrições estão abertas, vamos lá, escrevam. Quem ganhar vai negociar o prêmio diretamente comigo!!! Hummmm....? O que acham desta proposta, de consolar uma mulher de ego e coração partidos? Agora que fui rejeitada e trocada por outra, sinto que preciso me dar a chance de experimentar novas relações. Espero ansiosa sua colaboração. Enviem as redações para juliete.jaguar@gmail.com. 
Beijos mil!   

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Imagens subliminares: o vão que fazem suas mãos

"Na cor do esmalte que você vai escolher
Só para as unhas pintar
Quando é que você vai sacar
Que o vão que fazem suas mãos
É só porque você não está comigo
Só é possível te amar"...





















"Na minha boca agora mora o teu sexo
É a vista que os meus olhos querem ter"