quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A bunda, que engraçada!


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem.
Ondas batendo numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.

                                                           (Carlos Drummond de Andrade- In O Amor Natural)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para aquele que se diz meu namorado, meu amor, minha inspiração


"Dez na maneira e no tom
Você é o cheiro bom
Da madeira do meu violão
Você é a festa da Penha,
A feira de São Cristovão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal
Nunca me deixa na mão
Você é a canção que consigo
Escrever afinal
Você é o Buraco Quente
A Casa da Mãe Joana
É a Vila Isabel,
Você é o Largo do Estácio,
Curva de Copacabana
Tudo que o Rio me deu!
Pé do meu samba
Chão do meu terreiro
Mão do meu carinho
Glória em meu Outeiro
Tudo para o coração
De um brasileiro".

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O FURTO DO TELEFONE CELULAR


Sou uma mulher muito gostosa! Tesuda mesmo, mas não vou começar com aquelas descrições típicas de sites de contos eróticos, em que os personagens são sempre mulheres boazudas e homens irresistíveis. Acredito que o quê conta é a fantasia despertada, posto que, quem lê se excita é pensando em quem deseja, ainda que seja alguém inacessível ou que ficou no passado. Mesmo contaminado pelas impecáveis características físicas, o leitor goza é com a ideia de gozar da liberdade que a fantasia cria. No limite, assim como nos romances juvenis, a caracterização dos aspectos psicológicos, e não os físicos, é que nos envolve. Portanto, basta dizer que sou muito gostosa e relatar os fatos.
Trabalho numa empresa onde a maioria dos funcionários é do sexo masculino. Bastante assediada pelos homens, sou do tipo de mulher simpática e bem humorada, porém não me envolvo com pessoas do ambiente de trabalho. Namorei os últimos cinco anos e nunca trai, mas terminamos há quase cinco meses. Até o momento, quando ocorreu o que vou narrar, nunca tinha me relacionado sexualmente com meus colegas de trabalho nem com diretor algum. Já recebi propostas das mais indecorosas, desde uma rapidinha na sala de reuniões durante o expediente até um possível encontro em que eu receberia uma quantia bem alta para transar em sigilo com algum homem casado e carente. Confesso que a possibilidade de ganhar muito dinheiro por uma transa tenha já me tentado, afinal gosto de sexo e já transei sem receber nada em troca, quando na verdade mereceria ao menos um tratamento mais refinado: presentes, flores, vinhos, jantares bons e o protocolar telefonema no dia seguinte. Só não me tornei prostituta porque recebi uma boa educação moral dos meus pais e porque tenho um excelente diploma de curso superior. Apesar disso, não vou mentir que nunca fantasiei ser uma garota de programa, mas não passou de fantasia.
Fora isso, ando cansada de homens machistas que tratam as mulheres como objetos. Poxa! Passo horas malhando duro e faço dieta para ficar com este corpinho, frequento piscinas, praias e cachoeiras para obter estas marquinhas de bronzeado, trato dos dentes, cabelos e da pele, uso perfume importado, faço unhas, depilação e compro lingeries caras. Em suma: gasto quase tudo que ganho no meu trabalho para ser este pitéu todo e me revolto se um homem tem o desplante de me desdenhar. Cruz credo, chegam a ser deselegantemente atrevidos os homens de hoje em dia com esta mania de procurar sexo por distração. Pra cima de mim não mais! Quero homem que dê atenção aos meus sentimentos, por isso desde que meu último relacionamento acabou, decidi não me envolver mais com homens. Às vezes, penso em experimentar uma relação homo afetiva, mas falarei disso depois.
Estava há exatos quatro meses e quinze dias sem ter contato íntimo com pessoa alguma. Tornei-me até indiferente para com os homens, mas eles parecem ver nisso um desafio e me assediam cada vez mais. Não sucumbir a assédio em momento de carência é uma atitude heroica, mas a gostosa aqui estava se saindo bem até que, na semana passada ocorreu um fato inusitado.
No meio da tarde de uma segunda feira, fui até o café do meu departamento portando meu celular nas mãos e o deixei sobre o balcão. Vários homens tomavam café no momento e, como de costume, fui cortejada publicamente por algum imbecil e todos demos risadas. Ao voltar à minha sala senti falta do aparelho e voltei imediatamente à cozinha, certa de encontrá-lo. Não o achando onde acreditava estar e a fim de localizá-lo, liguei de um fixo para meu próprio número e ouvi a mensagem de que o mesmo encontrava-se desligado. Fui furtada dentro do meu trabalho, entre colegas com os quais convivo há anos, e isso me contrariou muito. Obviamente fiz alarde e todos souberam do fato. Houve até Boletim de Ocorrência, mas nada de ter meu celular de volta. Eu tinha certeza que quem me furtou era um tarado que queria ver minhas mensagens e fotos na esperança de saber algo da minha intimidade. Esta ideia me deixou furiosa!
No dia seguinte, depois de uma noite mal dormida decorrente da preocupação de não ter despertador em casa, um dos colegas foi excepcionalmente atencioso. Além de se oferecer para me trazer um café em minha sala, ele disponibilizou sua agenda caso eu quisesse anotar o número de algum conhecido em comum. Falamos sobre o sentimento de invasão de privacidade e sobre o transtorno de cancelar a linha e perder todos os contatos. Nunca tínhamos conversado sobre assuntos que não fossem profissionais, mas eu sempre achei que ele era de longe o cara mais interessante da empresa. Cheiroso, bem vestido, raramente de mau humor, tipo atlético, ciclista, frequentador de academia, loiro e de olhos azuis, boca vermelha e rosto cheio de sardas. Os comentários no banheiro feminino davam conta de que ele namorava a mesma mulher há anos e que não fazia o estilo galinha, apesar de assediado. O cara mais gato e sério do meu trabalho estava ali, sentado numa cadeira ao lado da minha, despojado, como se fossemos colegas de faculdade.  Não pude deixar de reparar no azul de seus olhos, nem no cós da cuequinha Calvin Klein que ele exibiu ao levantar vagamente a camisa. Voltamos cada qual aos seus afazeres e fiquei surpresa quando, ao fim do dia, ele me convidou para uma bebida. Normalmente não teria aceitado, mas estava ainda contrariada e, sendo ele tão atencioso, achei que me faria bem distrair em boa companhia. Foda-se se os homens são toscos, foda-se se são uns ogros, foda-se minha desilusão com o gênero; sai com o cara loiro de olhos azuis depois do expediente e fomos tomar umas!
Após meia dúzia de cervejas, umas doses e uns petiscos, ele me acompanhou até o carro. Despedimos com um beijo no rosto, mas quando me virei para abrir a porta do carro senti seu corpo me roçando, na altura do quadril. Fiquei imóvel, de costas para ele que, por sua vez, pressionou mais ainda o corpo contra o meu. Senti sua ereção por baixo da calça e me lembrei do cós da sua Calvin Klein, logo abaixo de um abdômen sarado. A embriaguez se misturou com excitação e eu não reagi. Ele seguiu em movimentos lentos, porém firmes. Esfregava-se em minha bunda, já com os braços em torno de mim e as mãos apoiadas no carro. Ele abaixava um pouco e vinha subindo, erguendo levemente meus quadris com a energia de sua ereção. Ele ousou ainda enfiar uma das mãos por baixo do meu vestido, afastou a calcinha para o lado e enfiou dois dedos dentro da minha vagina fazendo movimentos de “vem cá”. “É aqui que quero passar este resto de noite, dentro dessa buceta gostosa”, disse ele ao meu ouvido enquanto continuava a invasão. Pensei que fôssemos trepar em pé ali na rua, a poucos metros de um bar movimentado, mas ele abriu a porta do carro e se sentou. Olhou em volta e, não havendo ninguém por perto, tirou para fora da calça o seu pau delicioso. Era mesmo irresistível e eu quis chupá-lo. Ele segurou minha nuca, depois enrolou meus cabelos em seus dedos, e quase me sufocou contra seu pau algumas vezes. Ele dava o ritmo e eu obedecia, com cuidado para não machucá-lo. Escutava seus gemidos cada vez mais intensos e engolia até onde suportava aquela vara tesuda, prestes a ejacular. Puxando-me para dentro do carro e fechando a porta, ele me beijou a boca enquanto me apertava os seios e a bunda. Os beijos foram descendo pelo pescoço até os bicos dos seios, depois vieram mordidinhas, lambidas e mamadas. Segurei seu pau e comecei a bater uma punheta bem carinhosa nele, completamente esquecida de que estávamos dentro de um carro em via pública. As alças do meu vestido estavam lá embaixo e o sutiã jogado em algum lugar. Então, ele tirou minha calcinha sem me tirar os sapatos, tomou seu membro em uma das mãos e o exibiu. Ambos ficamos olhando com admiração as veias estufadas de seu cacete. “Posso meter ele em você?”, sussurrou. O safado nem esperou minha resposta, foi logo tirando uma camisinha do bolso e a vestiu. Eu estava bem molhadinha, louca para dar a buça bem gostoso e não podia esperar mais. Sentei-me em cima dele e comecei a cavalgar... Esfregava meus seios em sua boca para ser chupada e me requebrava toda naquele pau que me preencheu todinha. Ficamos um bom tempo assim e eu tive um pequeno gozo, mas queria mais. Ele pediu que eu inclinasse o banco do carro e em seguida me colocou deitada. Abriu minhas pernas, se contorceu para passar a língua na minha buceta, e se deitou sobre mim para me comer alternando estocadas rápidas com movimentos mais penetrantes. Ele me comeu maravilhosamente bem, o quanto quis, e eu gozei de novo por baixo dele. Senti sua aceleração e logo ouvi seu gemido mais rouco.
Estávamos, enfim, satisfeitos. Depois de um tempo para nos recompor e nos vestirmos, ele saiu do carro e pediu que eu o esperasse. Foi até seu carro que estava pouco a frente e de lá voltou com um embrulho nas mãos. Nossa! Ele estava ainda mais bonito, com os cabelos despenteados e as bochechas muito rosadas. Nunca mais conseguiria olhar pra ele sem me lembrar da cuequinha Calvin Klein, ou das inúmeras sardas que traz nos ombros. Aliás, queria ter tempo com ele numa cama para poder dar um nome a cada sarda de seus ombros e, depois de ser íntima, daria um apelido carinhoso a cada pintinha de seu corpo. Sempre achei sexy pele com sardas. Estava pensando nisso quando ele estendeu a mão com o embrulho. “Se quiser que eu te ligue amanhã, vai precisar de um telefone novo”, disse num tom enigmático. “O que é isso?”, exclamei ao abrir. “Um iPhone!”, ele disse secamente. “Sei que é um iPhone, mas o que significa isso?”. Ele disse que era um “presentinho para amenizar os transtornos decorrentes do furto do dia anterior”. Já cansada e para evitar bate boca, aceitei o aparelho a título de empréstimo e nos despedimos.
Ao chegar em casa, curiosa para saber como funciona um iPhone, liguei o aparelho. Havia uma mensagem de boas vindas que dizia o seguinte: “Você nunca me deu seu telefone e eu sempre te achei linda. Aceite meu pedido de desculpas”. Para minha surpresa, ao mexer no ícone “telefone” encontrei todos os meus contatos, todos! Filho da puta!!! O chip do iPhone era o mesmo que estava no meu celular antigo.                   
  
               

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

No mármore de tua bunda e outros versos

No mármore de tua bunda
 
No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
Tu a levaste contigo.



Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.



  ...só quem ama escutou
o apelo da eternidade


As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


                               (todos os versos e poemas são de Carlos Drummond de Andrade)

 


TURISMO CEMITERIAL: O ultimo desejo da esposa de Milan Marinkovic

TURISMO CEMITERIAL: O ultimo desejo da esposa de Milan Marinkovic:   Um viúvo sérvio da cidade de Belgrado atendeu o último desejo da mulher e mandou gravar o formato da vagina da esposa falecida em su...

Necrológico dos desiludidos do amor



Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

 
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou no turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...

 
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados completamente
(paixões de primeira e de segunda classe).

 
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.


Carlos Drummond de Andrade




Imagens: www.turismocemiterial.blogspot.com.br

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Língua Lambe ou A milenar arte de chupar buça

    
      Uma mulher nunca esquece o homem que, pela primeira vez, a fez gozar com sexo oral. Antes disso, alguns homens até podem ter colocado a boca lá, provocando certo prazer. Contudo, talvez pela falta de intimidade ou mesmo pela inabilidade do parceiro, conseguir o orgasmo com sexo oral não é fácil. Aliás, algumas mulheres nem se permitem este deleite.
     O sexo oral é para muitas ainda um tabu, seja por acreditarem que vagina cheira à bacalhau ou por sentirem nojo da boca do parceiro depois, afinal algumas mulheres se acham tão heterossexuais que dizem: "tenho tanto nojo de buceta que, na minha boca, nem o gosto da minha eu quero sentir". Outras, podadas por diversos preconceitos, especialmente os morais e religiosos, deixam de viver um dos melhores prazeres do sexo.
     Dia desses, conversei com uma mulher que acaba de se separar depois de uma década de casamento. Ela assumiu que deixou muito a desejar na vida sexual a dois, confessando que se casou virgem e que NUNCA praticou sexo oral com seu único parceiro. Segundo tentou me explicar, a educação religiosa que recebeu toda a vida apregoou que tal prática é pecaminosa. Se ela não podia chupar o pênis do marido, também não deixava que ele chupasse sua perereca! Sim, em pleno 2012 eu também não poderia imaginar que, de fato, existem pessoas tão recalcadas. Agora que estão separados e depois de algumas conversinhas com Juliet, a mulher em questão diz estar louca para reatar com o ex e fazer tudo que não fez. Mais dia menos dia, o sexo oral vai acabar rolando, com o ex ou com outro. E eu, estou louca para ouvir de sua própria boca (pobre boca virgem de pica!) como terá sido a experiência, especialmente o que sentiu ao ser chupada pela primeira vez. Vamos aguardar...
     Além de muitos problemas envolvendo mulheres, alguns homens também são travados à prática de sexo oral. Ou melhor, adoram quando as mulheres fazem neles e até forçam a situação, mas quando é a vez dos bonitões fazerem em nós, alguns demonstram não ter muito entusiasmo. Uns fazem muito "nas coxas", como se fosse uma obrigação, e há ainda os bundões que nem fazem. "Não chupo buceta de mulher nenhuma, nunca fiz isso e não vou fazer isso agora", disse-me certa vez um ex namorado. "Então, repense seus conceitos porque se você não me chupar eu também não te chuparei mais. A não ser que não goste de buceta; aí precisa arrumar um namorado e não uma namorada", fuzilei. Depois de uma greve minha, vendo que não obteria o que desejava - minhas deliciosas chupadas - ele cedeu e se dedicou ao aprendizado da milenar arte de chupar buça. Sorte das outras mulheres que vieram depois de mim, porque homem que não chupa não está com nada. Pode ter pegada, pode ter beijo bom e pode até ter um membro avantajado, mas se não dá umas linguadas na menina... não satisfaz. 
     Há ainda aqueles caras que, nas preliminares, adoram usar os dedos, e nada mais. Saibam rapazes que muitas mulheres odeiam dedadas! Tem que chegar com mais delicadeza, beijando, lambendo, mordiscando, sugando, pressionando o clítoris devagar e, quando a moça estiver gemendo e se contorcendo toda, meta a língua lá dentro e não o dedo. Deixe o dedo para meter em outro lugar quando a transa estiver pegando fogo, afinal ao contrário do que se pensa, as melhores mulheres são as que topam tudo, inclusive prazer anal. Vejam  o exemplo de uma leitora deste blog que me escreveu hoje as seguintes linhas: "Minhas amigas daqui me perguntam o que eu faço para os homens ficarem tão enfeitiçados. Eu digo que não faço nada, mas deixo eles fazerem tudo".
      Mulher também se amarra em homem que faz de tudo (especialmente cair de cara numa buceta e ficar lá até ela gozar). Aliás, uma modalidade maravilhosa de sexo oral é aquela posição em que sentamos peladinhas na boca do(a) parceiro(a). Se estivermos lisinhas, sem pelos pubianos, melhor ainda. Além de mais higiênico, estar depilada facilita o movimento da língua. Esta, por sua vez, precisa ser habilidosa e não ter preguiça de lamber. Passar os lábios é uma boa ideia, mas bom mesmo são aqueles movimentos ligeiros e curtos, só com a ponta da língua.  O ideal é que, ao final, os músculos da língua estejam doloridos. É bom lembrar que mais vale uma língua firme no clítoris do que linguadas na cavidade vaginal. Intercale lambidas com chupadas, fazendo certa força e pressão.
       Para quem busca inspiração, este lindo poema de Carlos Drummond de Andrade, poeta que, a propósito, hoje comemoraria mais um aniversário. 


               " A lingua lambe as pétalas vermelhas
                 da rosa pluriaberta; a lingua lavra
                 certo oculto botão, e vai tecendo
                 lépidas variações de leves ritmos.

                E lambe, lambilonga, lambilenta,
                a licorina gruta cabeluda,
                e, quanto mais lambente, mais ativa,
                atinge o céu do céu, entre gemidos,
                entre gritos, balidos e rugidos
                de leões na floresta, enfurecidos".

(Poema extraído do livro O Amor Natural)

Homenagem a Drummond, pelo seu aniversário


Versos: "Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo"
de Carlos Drummond de Andrade
 (Foto: Simone Monte)

MIMOSA BOCA ERRANTE

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.
Já sei a eternidade: é puro orgasmo.



                      ******

SUGAR E SER SUGADO PELO AMOR

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.


Poemas do Livro O Amor Natural (1992)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O amor é fogo e ferve queimando


Tomo um banho quente, embora faça calor. Ao sair do banheiro, ainda enrolada na toalha, espio a rua pela janela. Sinto que o horário de verão deixa as pessoas  mais animadas no começo da noite. Muitas resolvem fazer caminhadas ou correr pelos parques, as academias com certeza estão bastante frequentadas e os bares e sorveterias têm um movimento intenso. A energia agitada deste começo de estação me deixa também excitada. Ou será a expectativa do encontro que terei em breve?
Passeio nua pela casa; estou sozinha. Ligo o rádio e uma linda canção invade todo o ambiente: "faça de mim o seu brinquedo, você é meu enredo vem prá cá...". Deixo a toalha cair e, saltitante, vou cantando até o quarto. Passo um creme misturado a um óleo bem cheiroso nas pernas, braços, bumbum, barriga e seios. Esfrego meu corpo com minhas próprias mãos, acariciando e afagando cada parte. Olho-me no espelho e as marcas de biquini se sobressaem a ponto de causar em mim mesma certa excitação. Mulher apaixonada, quando olha o próprio corpo, se lembra do seu homem.
Ele logo chegará, preciso ficar linda. Escolho uma lingerie entre tantas. Fico diante do espelho, murcho a barriga e empino a bunda. Faço poses sensuais e ensaio um olhar penetrante imaginando que é ele à minha frente. Estou completamente depilada, lisinha e gostosa. Dou uma borrifada de Chanel 5 na virilha, outra no “cofrinho” que fica no começo das nádegas. A seguir, visto a calcinha fio dental preta com lacinhos pink.
Passo um pouco de perfume nos dedos e os levo até os bicos dos seios. Com leves movimentos circulares, faço esta parte tão sensível do corpo enrijecer. Ideias loucas me passam pela cabeça, como por exemplo, eu estar sentada sobre meu namorado, cavalgando seu membro rijo e ao mesmo tempo oferecendo em sua boca os meus seios para ele lamber, chupar e morder. Estou desesperada de tesão e não sei como vou conseguir esperar até depois do evento que iremos. Ajeito o sutiã, faço uma maquiagem discreta e prendo os cabelos. Olho no celular, tenho ainda quinze minutos até o horário combinado. Já escolhi o vestido e o sapato, mas os deixo numa poltrona no canto do quarto.
Ainda de calcinha e sutiã, deito-me na cama e escrevo uma mensagem ao celular. “Vem logo que to queimando de desejo”, envio ao gato. Menos de um minuto depois, a resposta: “to chegando”. Corro até a sala e deixo a porta destrancada, aumento o som e volto à cama. Puxo a calcinha pro lado e toco com os dedos meu clitóris, insistentemente. Abaixo o sutiã e massageio um dos meus seios, enquanto continuo a tocar minha buceta depiladinha e, a esta altura, bem molhada.
Não escuto meu namorado entrar em casa e, quando o vejo, já está na porta do quarto, olhando-me encantado. Faço de conta que ele não está, fecho os olhos e abro as pernas para deslizar os dedos vagarosamente no meu sexo. Viro-me de costas, empino bem a bunda em direção a ele. Neste instante, sinto que ele se aproxima. Tudo acontece muito rápido: ele me segura pela cintura, levanta meu quadril e penetra em mim sem nem afastar a calcinha. Está duro, inchado, enorme e latejante. Começo a gemer alto, estou de fato muito excitada. Ele mete com força, sem parar, entrando e saindo da minha buça como se eu fosse uma cadelinha de rua no auge do cio. Um gozo rápido e pequeno, porém intenso, me invade a alma. Ele, ao perceber que me satisfez, desacelera seus movimentos bruscos e, aos poucos, retira de mim meu objeto de prazer favorito.
_ Vem, não podemos nos atrasar. Mais tarde eu te dou o que você quer, sua assanhadinha.
_ Já me deu o que eu queria, amor...
_ Não, ainda não, depois vou te dar um leitinho bem quente pra você dormir a noite inteirinha, neném.
Levantei-me ainda trêmula e vi que ele não tinha se dado ao trabalho nem de tirar a camisa, apenas abaixou as calças. Coloquei meus sapatos e vestido, fui até o espelho para arrumar os cabelos e refazer o batom. Minhas bochechas estavam vermelhas, como sempre ficam depois de uma boa trepada. Saímos de mãos dadas e alegres; eu me sentindo a mulher mais tesuda do mundo, ao lado do homem mais lindo e gostoso. O que fizemos quando voltamos pra casa naquela noite, escreverei depois.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Amor - pois a palavra essencial - Drummond



Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
nu úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

(Carlos Drummond de Andrade - In O Amor Natural)